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Acufenos, tinnitus ou zumbidos

Entrevista a Haúla Haider, PhD
Otorrinolaringologista

Acufenos, mais conhecidos por tinnitus ou zumbidos, afligem 18% da população portuguesa. Sem cura, o tinnitus está a ser alvo de um estudo que visa melhorar o seu conhecimento científico.

O TINNET é composto por cinco grupos de trabalho, um dos quais, liderado, a partir de Lisboa, pela Dra. Haúla Haider, otorrinolaringologista no hospital CUF Infante Santo.

Lúcia Carvalho Andersen
Jornalista

Como é que surge este projeto europeu, TINNET?

O TINNET é um projeto que foi dinamizado pelo Professor Berthold Languth, psiquiatra que se dedica a esta área desde longa data. É uma Cost action BM1306 (Cooperation in Science and Technology), cujo principal objetivo é compreender melhor a heterogeneidade dos acufenos para melhorar e facilitar a orientação para novos tratamentos. COST é uma rede de trabalho que tem por missão fortalecer a investigação técnica e científica conjunta na Europa e apoiar jovens investigadores.

As Cost action baseiam-se numa rede de cooperação intergovernamental acordada pelos representantes de 19 países Europeus, durante a Conferência Ministerial que teve lugar em Bruxelas em Novembro de 1971, com a finalidade de gerir mais eficientemente os recursos disponíveis na Europa, quer em termos de conhecimento científico e tecnológico, quer financeiro.

A necessidade de um projeto como o TINNET, surge do facto de o acufeno representar uma área onde ainda temos poucas respostas terapêuticas eficientes e muitos aspetos por clarificar a nível da sua fisiopatologia e standardização diagnóstica e terapêutica.

Em que consiste Clinical WG1?

O Clinical WG1 é um dos 5 grupos de trabalho que integram o TINNET. Este grupo tem reunido esforços no sentido de vir a organizar as guidelines europeias para abordagem e terapêutica do paciente adulto com acufeno subjetivo crónico.

Qual a utilidade desta base de dados que está a ser organizada?

Esta base de dados, aliada à rede de investigação científica básica e clínica, permitirá criar Standards de avaliação clínica e audiológica do doente com acufenos – logo, facilitará a identificação de subtipos (fenotipos) de acufenos clinicamente relevantes.

Também nos conduzirá a critérios Standardizados de obtenção de exames de neuro-imagem. A constituição de uma base de dados Europeia/ Internacional clínica e imagiológica (net e biobanco) irá facilitar a genotipagem (biomarcadores genéticos) desses subtipos de acufenos clinicamente relevantes.

O que virá a ser um fator chave na individualização da terapêutica mais dirigida à etiologia. Pretende-se ainda Standardizar a metodologia para avaliação de resultados (Outcomes measurements) através da integração longitudinal na base de dados, o que simplificará a comparação entre diferentes estudos de eficácia terapêutica dos acufenos.

Que expectativas é que o projeto Clinical WG1 traz a quem sofre de tinnitus?

A utilidade dos trabalhos realizados no TINNET em geral, e em particular no WG1, será de poder vir a trazer alívio e melhoria de qualidade de vida aos 70 milhões de pessoas que padecem de acufenos na Europa e que poderão beneficiar de maiores níveis de evidência para terapêuticas específicas, tratamentos mais individualizados e melhores standards terapêuticos.

Qual o impacto do tinnitus junto da população portuguesa?

Elevado, senão vejamos: a comorbilidade mais frequentemente associada aos acufenos é a surdez, se a nossa população está a envelhecer, logo teremos cada vez mais casos de presbiacusia e também de acufenos. Estima-se que a prevalência de acufenos ronde os18%.

Quando estará concluído o projeto TINNET?

Iniciou em abril/2014 e terminará em abril/2018.

Dra. Haúla Haider, PhD Otorrinolaringologista A Dra. Haúla Haider representa Portugal no comité de gestão do programa TINNET e co-preside ao WG1. Tem vários trabalhos publicados premiados e participa regularmente em encontros internacionais da sua área de especialidade. Desde 2002 que dá consulta de tinitologia e otorrinolaringologia no hospital da CUF Infante Santo.