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Quando uma criança nasce sem ouvir

O nascimento de uma criança que não ouve é um tremendo desafio para a família e para todos os que a rodeiam.

Há 36 anos, apareceu aqui, na Casa Sonotone, uma menina de três meses com uma malformação, uma película que tapava completamente o pavilhão auricular e a impedia de ouvir. Na época, não se aconselhavam cirurgias do ouvido a bebés daquela idade e a tecnologia não era o que é hoje.

Mas deixar a criança crescer sem ouvir também não era solução. Decidi adaptar um aparelho de condução óssea que se fixava numa bandolete com dois vibradores, um de cada lado, para que pudesse ouvir através da mastoide.

Desta forma, foi crescendo a ouvir e a reconhecer os diferentes sons, o que lhe permitiu desenvolver a linguagem e ter uma vida o mais normal possível. Ouvia as vozes da mãe, do pai, o barulho da colher no prato da papa e tantos outros sons nos quais não pensamos e que são tão importantes.

Aos 10 anos, a menina foi operada. Os canais auditivos externos foram desobstruídos, passando toda a infância como uma criança ouvinte. Após a cirurgia, não necessitou de usar qualquer tipo de aparelho auditivo. Hoje em dia, estas situações, em que a única anomalia é o canal auditivo externo, já são resolvidas com cirurgia muito mais cedo.

Na verdade, e ao fim de uma vida à frente da Casa Sonotone, não deixo de ficar impressionada com a evolução constante no campo da saúde auditiva, com o avanço na área da genética, e com a esperança que a inovação tecnológica e a investigação científica trazem, diariamente, quem não ouve.