Surdez e perda auditiva

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Surdez e perda auditiva

Ainda que resultem na incapacidade de ouvir, não são a mesma coisa.

Surdez é a incapacidade de ouvir. É esta a definição que, de uma forma geral, é partilhada pela maioria das pessoas. Mas é preciso distinguir, desde logo, a surdez da perda auditiva porque esta perda resulta de um processo de desgaste da audição à medida que a idade avança.

E este processo pode ainda ser acelerado por fatores ambientais como, por exemplo, a exposição ao ruído ou à água.

São conhecidas as lesões que o volume elevado dos headphones ou a água, no caso dos praticantes de natação e desportos aquáticos, podem provocar nos tecidos internos do ouvido. Um trauma ou uma infeção, podem também alterar, para sempre, a capacidade auditiva.

Mas estas são causas externas que, geralmente, podem ser compensadas com o recurso às próteses auditivas. E, portanto, não seria de todo injusto dizer que o tratamento da perda auditiva está nas mãos dos engenheiros.

Já a surdez, tem uma dimensão completamente diferente quando abordada na sua origem congénita. Este é o ponto de partida da investigação médica, descobrir porque é que uma criança nasce surda.

Identificar o que impede o indivíduo de ouvir é fundamental para avaliar a possibilidade de recuperação e, sobretudo, de prevenção. As causas não estão à vista e os médicos terão de iniciar por um processo exaustivo de diagnóstico.

O período em que a surdez se manifesta, seja antes ou depois do desenvolvimento da linguagem (Prelingual e Poslingual), é um fator determinante no diagnóstico da surdez. A incapacidade de falar e de reproduzir sons denuncia a ausência de memórias auditivas, indicando que a criança nunca ouviu.

Entre o conjunto de exames, os médicos têm em conta a história clínica familiar, otorrinolaringologia, audiograma, ECG, estudo molecular dirigido, imagiologia – ecografia renal, por exemplo, já que as doenças do rim surgem por vezes associadas à surdez – RaioX, etc… É possível estabelecer um quadro clínico caracterizando a surdez em diferentes tipos.

Condutiva, quando há anomalias no ouvido externo e médio, Neurosensorial, devido ao mau funcionamento das estruturas do ouvido interno, Mista, quando envolve o tipo Condutiva e Neurosensorial, e ainda a Disfunção Auditiva Central, quando se registam lesões ao nível do nervo craniano, da via auditiva ou do córtex.

De acordo com estatísticas recentes realizadas nos chamados países desenvolvidos, 35% dos casos de surdez resultam de causas ambientais que afetam as mulheres durante a gravidez – incluindo casos de meningite, rubéola pré-natal ou hiperbilirrubinémia perinal, 30% genética não-sindromática (cerca de 80% autossómica recessiva) e 35% genética sindromática.

Ou seja, a surdez hereditária é classificada como sindromática quando surge associada a outras anomalias, ou síndromes, e não-sindromática quando isolada de outros problemas, nestes casos 80% apresentam uma herança autossómica recessiva. Hoje em dia, pode considerar-se a surdez um problema de saúde pública com números preocupantes. Na Europa, cerca de 10% da população apresenta sinais de perda auditiva.

Entre 0,05% e 0,1% das crianças, nascem com surdez profunda. Na população em geral, predomina a perda auditiva pela idade e que manifesta o peso da herança genética em conjunto com as causas ambientais.

A surdez não tem cura, mas tem um parceiro muito importante: a tecnologia. A evolução que se tem registado nos equipamentos de avaliação e diagnóstico audiológico e nas próteses auditivas permite, em muitos casos, recuperar a audição. Implantes e aparelhos auditivos são utilizados com sucesso, melhorando a vida de milhares de pessoas em todo o mundo.

E se o tratamento da surdez conta com o avanço tecnológico, a prevenção está atenta à investigação genética. Um futuro que se aproxima a passos largos.

Setembro 2016